quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Metamorfose pela CPMF
Diário Catarinense - Editorial - 07.12.07
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva apelou até para um sucesso musical de Raul Seixas para tentar convencer a oposição de que a CPMF deve ser prorrogada. Lula fez um mea-culpa por ter trabalhado, no passado, contra a CPMF. "Prefiro ser considerado uma metamorfose ambulante por estar mudando na medida em que as coisas mudam", disse o presidente, ao explicar sua mudança de posição sobre a CPMF que combateu durante o governo de seu antecessor, criador do tributo. A questão remete, para além dos cruciais problemas envolvidos no debate sobre a prorrogação do tributo, a uma renovação da polêmica em torno da coerência dos políticos.
Durante muitos anos, o ex-presidente Fernando Henrique teve que dar explicações por uma frase, que teria pronunciado, recomendando aos brasileiros que esquecessem do que escrevera. Agora, Lula de alguma maneira justifica a necessidade de mudar à medida que a realidade cambiante assim o exige. Como quase todos os aspectos da vida, também a mudança de opinião tem dois lados. E, no caso, um positivo e recomendável e outro negativo e injustificável. A crítica que os governantes merecem ao mudar de opinião não é quando o fazem porque se convenceram de que estavam do lado errado ou trabalhavam com dados que foram corrigidos ou desmentidos. Mudar, quando isso ocorre, é uma questão de honestidade intelectual.
O descabido é o comportamento dos que mudam apenas por conveniências pessoais ou políticas, professando um ponto de vista quando estão na oposição e outro, exatamente contrário, quando no governo. O inadmissível é a postura dos que votam contra num momento ou a favor, quatro anos depois, não por convicção política, ou programática, mas porque mudou o governo. Tais atitudes não demonstram grandeza, mas incoerência. Elas não ajudam a formar uma democracia forte, mas colaboram para o desprestígio da classe política e para a fragilização das instituições.
Por isso, a metamorfose ambulante de que fala o presidente pode não significar necessariamente uma virtude. Só é virtude - e deve ser assim considerada - quando representa uma mudança voltada para o bem da sociedade, calcada em argumentos convincentes, e não é, como infelizmente tem sido comum, apenas o reflexo do oportunismo político e de um vale-tudo partidário. Estes são incompatíveis com o aperfeiçoamento da democracia onde os governos, os parlamentos e as organizações públicas devem colocar o interesse do país acima de qualquer outro.
sábado, 24 de novembro de 2007
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Os professores e a Educação
“Esclarecer”, “esclarecimento”, e “estar claro” são palavras e expressões que estão no dia-a-dia. Metáforas utilizadas para expressar o conhecimento. Mas esta figura de linguagem não aparece apenas no cotidiano popular. Por exemplo: o Iluminismo foi o termo criado pela burguesia na metade do século XIII quando fez, na França, a sua revolução, com a promessa de “iluminar as mentes dos indivíduos”, ou seja, libertá-los da “ignorância” na qual se viviam.
Quando refletimos nesse horizonte de perspectiva, percebemos que foi mais uma promessa. Conforme, o mestre em história, Valério Arcary o ensino fundamental está em crise e impossível de administrá-lo e os ensino médio e superior foram privatizado numa proporção gigantesca. “A educação pública é um cadáver insepulto”, conclui o educador.
Os professores para terem “dignidade” trabalham em várias escolas, dão aulas de dia e à noite. Além disso, enfrentam a indisciplina dos alunos, a superlotação das salas de aula, a violência e ainda precisam levar trabalhos para casa.
Por isso, conforme o jornalista e professor universitário Fabiano Cury, “... quase 50% dos professores do Brasil são acometidos pela” síndrome de burnout.” (Revista Educação, 09/2007). Em outro artigo, veiculado no endereço eletrônico www.psquiweb.med.br, é descrito as características desse mal, “A síndrome se caracteriza por exaustão emocional, avaliação negativa de si mesmo, depressão e insensibilidade com relação à quase tudo e a todos”.
Por outro lado, campanha veiculada na sociedade diz que os professores são os maiores responsáveis pela crise educativa. Os neoliberais sugerem que o problema da educação não é a corte de verbas, mas a má administração. Uma rede de televisão apresenta o trabalho voluntário como a “grande solução” para escola pública, o que seria, evidentemente, uma piada, se não fosse ridículo.
Precisamos de investimentos no setor, para implementar o piso salarial do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos socioeconômicos (DIEESE), estimado em R$1.733,88 por uma jornada de 20 horas-aulas semanais. Mas as direções da Federação dos Trabalhadores em Educação do Mato Grosso do Sul (FETEMS), Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) e Central Única dos Trabalhadores (CUT), pouco fizeram em defesa desse piso salarial.
Ainda medidas em outras áreas são necessárias, ou seja, políticas para gerar empregos para a população, elevar o valor dos salários, construção de moradias e melhorias na saúde, etc. Pois a educação é um fenômeno complexo. Sendo assim, terá poucas chances de êxito se não for associado a medidas também nestas áreas.
Segundo o site de noticias Uol, o governo Lula é o que menos gasta com educação dos 34 países analisados por um estudo da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico). O país é o que apresenta o menor investimento por estudante. Assim para citar alguns exemplos, o Fundo de Manutenção da Educação Básica (FUNDEB), o “PAC da Educação” ambos do governo federal, e a “Cidade educadora” (nível local) não abordam a questão da justa remuneração dos professores. Os recursos que deveriam ser destinados à educação e a outros setores são desviados pela aliança (PT, PMDB, PDT, PCdoB), liderada por Lula, para os pagamentos de juros aos banqueiros, especuladores e para a corrupção (vide “mensalão”, “sanguessuga” e “Renan”, etc.).
Portanto, percebemos que não haverá uma educação libertadora e desalienante com o atual governo e nem com os que os antecederam. Assim, as greves, mobilizações e outras formas de lutas que surgirão no futuro são instrumentos legítimos de defesa.
Por fim, os professores e a juventude devem assumir os papéis de protagonistas dedicados e apaixonados pelas transformações sociais.
Fonte:
(*) Professor e coordenador da Coordenação de Lutas (CONLUTAS –MS) Email: onildolopes@yahoo.com.br
VERDADE
A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade voltava
igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou
conforme seu capricho, sua ilusão, sua miopia.
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Caros Amigos e Amigas,
É tempo de agradecer a todos que acreditaram em mim, e não acreditaram nas meias verdades e nas maledicências que fui vítima. Recebi apoio, palavras de conforto e confiança, nesse momento descobri que tenho verdadeiros amigos(as) e fiquei muito feliz com essa descoberta.
